Click e darás um rasante por Itamarati.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Moradia Beira Rio
Este é um exemplo à beira do Rio Juruá, no município de Itamarati.
Agora pense: Sem água potável, sem luz, sem televisão.
E assim, vivem que não conseguimos nem imaginar como se portam. Se são felizes ou não. Se aqueles risos estampados em seus rostos são verdadeiros. Talves, vemo-os diferentes pela nossa arrogância do ser civilizado que somos achando que só vivem bem quem tem todo o conforto oferecido atualmente.
MEMORIAL - Resumo
RESUMO
Esse memorial apresenta a vida acadêmica do professor Imar Paulo Pissolato que teve início na cidade de Monções, Estado de São Paulo, no ano de 1950, onde cursou as primeiras séries, a partir do então 1.º ano até o 4.º ano. Daí em diante, necessitou viajar para outras cidades para conclusão do ginásio, na cidade de MacaubaL, Estado de São Paulo, e na seqüência, o científico de Ciências Físicas e Biológicas, na cidade de Nhandeara, Estado de São Paulo. Pensando em Faculdade se embrenhou para o Estado do Paraná, na cidade de Londrina, mas por falta de condições optou por trabalhar. Assim empregado foi transferido para o Estado de Mato Grosso, na cidade de Colíder, onde teve a primeira experiência de professor, decorrente a um crescimento estupendo da cidade e a formação imediata do ginásio. Depois, membro e dono de uma banda de música, saiu em turnê passando pelo Mato Grosso, Acre e finalizando na cidade de Eirunepé, Estado do Amazonas, onde cursou o LOGOS II, se diplomando para o magistério. A partir de então, iniciou firmemente a carreira, mudando-se para Itamarati, onde se encontra até os dias atuais lecionando e estudando na Universidade do Estado do Amazonas, no Curso Normal Superior.
Esse memorial apresenta a vida acadêmica do professor Imar Paulo Pissolato que teve início na cidade de Monções, Estado de São Paulo, no ano de 1950, onde cursou as primeiras séries, a partir do então 1.º ano até o 4.º ano. Daí em diante, necessitou viajar para outras cidades para conclusão do ginásio, na cidade de MacaubaL, Estado de São Paulo, e na seqüência, o científico de Ciências Físicas e Biológicas, na cidade de Nhandeara, Estado de São Paulo. Pensando em Faculdade se embrenhou para o Estado do Paraná, na cidade de Londrina, mas por falta de condições optou por trabalhar. Assim empregado foi transferido para o Estado de Mato Grosso, na cidade de Colíder, onde teve a primeira experiência de professor, decorrente a um crescimento estupendo da cidade e a formação imediata do ginásio. Depois, membro e dono de uma banda de música, saiu em turnê passando pelo Mato Grosso, Acre e finalizando na cidade de Eirunepé, Estado do Amazonas, onde cursou o LOGOS II, se diplomando para o magistério. A partir de então, iniciou firmemente a carreira, mudando-se para Itamarati, onde se encontra até os dias atuais lecionando e estudando na Universidade do Estado do Amazonas, no Curso Normal Superior.
MEMORIAL - 2. Memorial
2. MEMORIAL
Hoje me senti capaz. Tudo à minha volta estava em perfeita harmonia. Minha cabeça já não pensava tanto no monte de coisas que tinha de fazer. Deu um estalo, surgiu àquela luz de interrogação, podendo até ler o título: o sonho que tornou realidade. Chegou o momento tão esperado, o de partir para o início de uma viagem apaixonante, com momentos altos e baixos, angustiantes, etc, etc, mas na maioria hilariantes, que remota, seu ponto de partida, nos anos cinqüenta; precisamente na data do dia 05 de março, em pleno domingo, numa cidadezinha interiorana, pacata e tranqüila, chamada Monções, situada no Estado de São Paulo, dentro deste meu querido Brasil, chefiado, na época, pelo então Presidente General Eurico Gaspar Dutra (gestão: 31.01.1946 / 31.01.1951).
Figura 1: Mapa do Estado de São Paulo, situando a cidade de Monções. Cidade Natal.
Período de estudante
Não terei condições de relembrar os tantos feitos que transcorreram em minha vida, até porquê, como quase que a maioria das pessoas sou um tanto esquecido, nem lembro o que ocorreu de ruim há um minuto atrás; faço questão das memórias que me endossam de alegria, que dão sustentáculos para uma convivência sadia, sem desperdício com nulidades. Isso me foi repassado pelos meus pais que viveram intensamente em razão dos dez filhos que criaram até que criassem asas e voassem para longe, como foi o meu caso. Não me contive em ficar esperando, como meus irmãos fizeram, em aguardar que a educação formal, além do grupo (hoje primário), chegasse até eles, fui a sua procura pelos mais diversos rincões deste país e, por incrível que pareça, quando eu já tinha me acomodado, depois de tanto rodar e conquistar o magistério, eis que aparece em minha vida, compensando minhas frustrantes investidas no ensino superior e, talvez, pelas minhas longas caminhadas; próximo de minha casa, não mais que cem metros, um dos meus sonhos: a faculdade. Essa que cobra por esta minha reflexão para elaboração deste memorial que tem por finalidade obter créditos como parte do T.C.C. no Curso Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas.
Jamais poderia expor tantas linhas sem citar o que realmente me levou a aventurar pela vida. Deixar a boa vida com os pais e partir para uma vida à procura de seu ideal pode, às vezes, não dar como o esperado, mas leva a encontros suscetíveis que direcionam a outros caminhos que devem ser agarrados com unhas e dentes, como sempre o fiz e agora volto a fazer. Não pude realizar por completo o meu sonho de criança, mas criei condições para torná-lo próximo da minha realidade. Já estou no Amazonas há mais de vinte anos com esposa, filhos; noras e netos, então, só não consegui ser zoólogo, mas, mesmo assim, como professor, tenho oportunidades de incentivar, de apoiar, de se aproximar e demonstrar como conviver em harmonia com os animais. Se não tudo, pelo menos partes para que se encaixem e complete o todo.
Aqui estou, pesquisando em todos os cantos de minha mente, tentando obter o máximo de aproveitamento das lembranças, para que as linhas não constem apenas um lado da moeda; que seja estendida na busca dos detalhes minuciosos: aqueles que tocam profundamente e conseguem levar ao delírio os seus desfechos. Vou procurar incessantemente para que este trabalho tenha a forma da verdade brasileira, passada por tantas mudanças, chegando ao máximo de sua democracia, conforme demonstrada na última eleição para Presidência da República, com a posse de um homem da força sindical, Luís Inácio Lula da Silva (gestão: 01.01.2003 / 01.01.2006).
Considero, agora que pensando, que senti na pele todas as mudanças ocorridas com nosso país, principalmente porque eu também mudei muito, mas nem tanto a pessoa, mas, sim de lugares. Sai do sudeste, passei pelo sul, centroeste e estou cá, parado, no norte. Para se conseguir realizar o sonho é necessário que se acorde e corra atrás.
Hoje me senti capaz. Tudo à minha volta estava em perfeita harmonia. Minha cabeça já não pensava tanto no monte de coisas que tinha de fazer. Deu um estalo, surgiu àquela luz de interrogação, podendo até ler o título: o sonho que tornou realidade. Chegou o momento tão esperado, o de partir para o início de uma viagem apaixonante, com momentos altos e baixos, angustiantes, etc, etc, mas na maioria hilariantes, que remota, seu ponto de partida, nos anos cinqüenta; precisamente na data do dia 05 de março, em pleno domingo, numa cidadezinha interiorana, pacata e tranqüila, chamada Monções, situada no Estado de São Paulo, dentro deste meu querido Brasil, chefiado, na época, pelo então Presidente General Eurico Gaspar Dutra (gestão: 31.01.1946 / 31.01.1951).
Figura 1: Mapa do Estado de São Paulo, situando a cidade de Monções. Cidade Natal.
Período de estudante
Não terei condições de relembrar os tantos feitos que transcorreram em minha vida, até porquê, como quase que a maioria das pessoas sou um tanto esquecido, nem lembro o que ocorreu de ruim há um minuto atrás; faço questão das memórias que me endossam de alegria, que dão sustentáculos para uma convivência sadia, sem desperdício com nulidades. Isso me foi repassado pelos meus pais que viveram intensamente em razão dos dez filhos que criaram até que criassem asas e voassem para longe, como foi o meu caso. Não me contive em ficar esperando, como meus irmãos fizeram, em aguardar que a educação formal, além do grupo (hoje primário), chegasse até eles, fui a sua procura pelos mais diversos rincões deste país e, por incrível que pareça, quando eu já tinha me acomodado, depois de tanto rodar e conquistar o magistério, eis que aparece em minha vida, compensando minhas frustrantes investidas no ensino superior e, talvez, pelas minhas longas caminhadas; próximo de minha casa, não mais que cem metros, um dos meus sonhos: a faculdade. Essa que cobra por esta minha reflexão para elaboração deste memorial que tem por finalidade obter créditos como parte do T.C.C. no Curso Normal Superior da Universidade do Estado do Amazonas.
Jamais poderia expor tantas linhas sem citar o que realmente me levou a aventurar pela vida. Deixar a boa vida com os pais e partir para uma vida à procura de seu ideal pode, às vezes, não dar como o esperado, mas leva a encontros suscetíveis que direcionam a outros caminhos que devem ser agarrados com unhas e dentes, como sempre o fiz e agora volto a fazer. Não pude realizar por completo o meu sonho de criança, mas criei condições para torná-lo próximo da minha realidade. Já estou no Amazonas há mais de vinte anos com esposa, filhos; noras e netos, então, só não consegui ser zoólogo, mas, mesmo assim, como professor, tenho oportunidades de incentivar, de apoiar, de se aproximar e demonstrar como conviver em harmonia com os animais. Se não tudo, pelo menos partes para que se encaixem e complete o todo.
Aqui estou, pesquisando em todos os cantos de minha mente, tentando obter o máximo de aproveitamento das lembranças, para que as linhas não constem apenas um lado da moeda; que seja estendida na busca dos detalhes minuciosos: aqueles que tocam profundamente e conseguem levar ao delírio os seus desfechos. Vou procurar incessantemente para que este trabalho tenha a forma da verdade brasileira, passada por tantas mudanças, chegando ao máximo de sua democracia, conforme demonstrada na última eleição para Presidência da República, com a posse de um homem da força sindical, Luís Inácio Lula da Silva (gestão: 01.01.2003 / 01.01.2006).
Considero, agora que pensando, que senti na pele todas as mudanças ocorridas com nosso país, principalmente porque eu também mudei muito, mas nem tanto a pessoa, mas, sim de lugares. Sai do sudeste, passei pelo sul, centroeste e estou cá, parado, no norte. Para se conseguir realizar o sonho é necessário que se acorde e corra atrás.
MEMORIAL - 2.1 Minha formação como professor
2.1 Minha formação como professor
Querer ser, não é bem o termo para se escolher uma profissão. O tempo me mostrou e pude ver muitas escolhas se esvaírem no tempo e no espaço. A condição financeira da maioria dos brasileiros sendo baixa, não lhes dá condições de custear os estudos de sua preferência, e assim, se formam, quando conseguem, pelas oportunidades surgidas e no curso que disponibilizam para suprir a necessidade de momento, ou de desejo e condições do governo. Para aqueles que se adaptam com as oportunistas profissões, têm nelas seu futuro garantido e, passam a dedicar com afinco tornando-se bons profissionais, ao contrário dos que se dizem “não ter nada a ver comigo” se enveredam procurando outros caminhos sem saber ao certo o que encontrarão, ou ficarão, simplesmente, ocupando lugar, deixando o tempo passar pela vida sem sentirem a vida passar pelo tempo. Não estou incluído neste último caso, pois sei o quanto andei atrás de uma oportunidade e, quando surgiu não pensei duas vezes; uma me bastou para decidir o caminho que deveria tomar. Pode não ser a profissão dos meus sonhos de criança, mas, é a profissão de professor que me serve e que me faz identificar com que sempre preguei. Desde minha infância, sabendo depois, é claro, já me portava como instrutor quando conseguia me preparar para poder transmitir os ensinamentos aos demais colegas, como nos casos das brincadeiras de circo, dos roteiros do cinema, das histórias de bang-bang (mãos-ao-ar), enfim, sempre me concederam a liderança para que fluíssem os divertimentos entre nós. Esse era o sinal a seguir, mas como? Nessa época, na sociedade em que convivi, via-se na criança um futuro trabalhador braçal, principalmente que sendo eu o caçula de uma família de marceneiros, por conseguinte seria mais um artista da madeira. No entanto, por uma iniciativa de seis amigos adolescentes, entre eles eu, com quinze anos e, a cinco concluídos o 4.º ano escolar, recorremos ao, primeiro, prefeito de nosso município, Sr. Fernando Ramirez, para requerer que intervisse por nós, pioneiros pretendentes de estudar o ginásio, no sentido de que o Colégio Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, da cidade vizinha de Macaubal, distante dezoito quilômetros de nossa cidade, estendesse o exame de admissão para nossa região. Registra-se, então, na cidade, a ousadia de seis jovens que viajaram durante quatro anos seguidos e tiveram o prazer de fazer, em final de 1969, a primeira festa de formatura ginasial, para espanto daqueles que não acreditavam que aqueles jovens suportariam a maratona diária de ir e vir por estrada de chão, ora de ônibus, ora de caminhão, vezes de carona, vezes de lotação e, até de pé quando do tempo chuvoso ou tempo de pane do veículo. Mas, tudo isso era encarado como um desafio, pois tínhamos consciência da árdua batalha e, assim, considerávamos que cada dia era uma vitória e, sendo vitória, deve ser comemorada como tal: alegria, animação e satisfação; situação que os desacreditados desconheciam.
Desses quatro anos de ginásio, aprendi muitas coisas e, dentre uma delas foi gostar de pão com mortadela. Brincadeirinha! É que este foi o meu cardápio de almoço durante essa temporada de viagem; razão da saída de casa ainda cedo e o almoço não estar pronto. A melhor aprendizagem foi saber dar valor ao pouco que se consegue, pois ele sempre será o motivo do início, por exemplo, são os minúsculos grãos de areia que se acumulam e formam as grandes dunas.
Aprendemos por etapas, aos poucos e, assim, devagar fui absorvendo o que me ensinavam e a ponto de ficar pronto para enfrentar o novo desafio: o colegial; só que agora noutra cidade, em Nhandeara, no Colégio e Escola Normal Estadual Pedro Pedrosa. Um pouco mais longe. Vinte e três quilômetros de chão batido e, de novo, de ônibus, de perua, de carona, de pé, de carrão, não, digo, de coração. De novo, nós seis, por mais três anos enfrentamos o sabor do vento, só que agora a brisa era noturna, os olhos já não avistavam mais as grandes pastagens, os cafezais, as lavouras; a escuridão embriagava a mente tornando-a sonolenta, quase parando. Nós o chamávamos de sono dos sustos (não dos justos), pois a cada momento algo de extraordinário acontecia: um buraco, um animal, vários buracos, vários animais, outro carro, uma brincadeira aqui, outra ali, até chegar ao destino quando de ida ou quando de vinda.
Essa ida e volta nos deram mais um título: ganharam mas não levaram, querendo nos dizer que nós não conseguimos nenhuma profissão e, realmente, foi. Recebemos, no final do ano de 1972, o Certificado de Conclusão do Curso Colegial na área de Ciências Físicas e Biológicas, habilitados para prestar vestibular ... e só? Isso já se sabia, mas não tinha outra escolha, era pegar ou largar. Desde aquela época e até hoje ainda, não consegui entender o pensamento de nossos governantes. Se o Brasil é um país agrícola, possui uma das melhores terras do mundo, porque não dar condições ao cidadão interiorano de se especializar no que a terra é capaz de oferecer?
Foi bom enquanto durou. Essa foi a frase que pude dizer quando recebi o canudo do curso colegial, pois não havia na minha região nenhuma escola para oferecer a continuidade do estudo de zoologia, que eu pretendia, principalmente, por ter adquirido uma boa base de conhecimentos a ponto de realizar experiências, que na época, foi muito comentada. Uma delas foi construir para a feira de ciência, promovida pelo colégio, uma máquina de tabuada usando uma caixa, que era usada por meu pai para guardar blocos de notas, pregos, 42 lâmpadas, duas pilhas de lanterna e uma porção de metros de fio encapado, desenrolado de uma bobina sem uso; conseguindo que ao tocar os dois cabos, nas posições alinhadas, em colunas, dos números representados pelos pregos, obter o resultado da multiplicação, acendendo a lâmpada correspondente. Pela figura, a seguir, faço a caracterização do que seria, mais ou menos, a forma geométrica do aparelho, com toda base externa, assim como as bases internas onde se fixaram os pregos, construídos em madeira, sem que houvesse necessidade de ajustamento. Dava a entender que a caixa tinha sido construída para essa finalidade. Coisa de adolescente que vê na sua criatividade a única peça do mundo.
Figura 2: Desenho representativo do aparelho para cálculo da tabuada de multiplicação. Apresentado na Feira de Ciências no ano de 1973
Meu pai, sendo proprietário de serraria, marcenaria e outros bens, poderia até ter condição de custear meus estudos, mas não o submeti a essa resposta, preferi, aproveitando o convite de meu cunhado para tentar trabalho e se, conforme for, os estudos, na cidade de Londrina, Estado do Paraná.
Figura 3: Mapa do Estado do Paraná, situando a cidade de Londrina.
Tentativa de vestibular
E, assim, já morando com minha irmã, em 1973, tentei uma seletiva para estudo preparatório do vestibular, mas sem sucesso. Nesse mesmo ano, em fevereiro, consegui a minha primeira assinatura na carteira de trabalho, em uma firma revendedora de terras, sendo ela a responsável pela minha ida para o Estado do Mato Grosso.
Nesta passagem da vida surgiu a primeira dúvida. Estudar ou trabalhar? Eis a questão. A firma triplicava meu salário para ser o chefe de escritório da filial a ser inaugurada na futura cidade, localizada na gleba onde se encontravam os lotes de terra para venda. Minha resposta veio com a conformidade de não possuir recursos para manter-me numa faculdade e, assim, indo para a floresta não teria onde gastar os meus salários e conseqüentemente os juntariam e retornaria para dar continuidade aos estudos, apesar de que esta minha decisão também pendeu porque iria de encontro ao que sempre quis: conhecer florestas, ver animais, sentir o ar puro e, esta era a oportunidade sonhada. E, assim, no dia 20 de agosto de 1974, me encontrei no meio de uma vasta floresta procurando no mapa o local da futura cidade Colíder.
Figura 4: Mapa do Estado do Mato Grosso, situando a cidade de Colíder.
Primeira experiência em sala de aula, como professor.
Nome dado em homenagem à firma colonizadora. Há minha volta somente previsão de prédios, porque na realidade, naquele dia, não existia nem o escritório para a venda das terras, sendo improvisado no cômodo de meu alojamento, diferente do visto um ano mais tarde. Parecia com a chamada corrida do ouro. Mudanças
O nome de Colíder está ligado à firma que a colonizou, e pela facilidade de compra, os habitantes chegavam, como diz o ditado: “aos pacotes”, com famílias vindas do Estado do Paraná, e também, um pouco de São Paulo, Minas Gerais e outros estados, ocasionando um crescimento rápido e, conseqüentemente, muitos alunos para estudarem. Daí minha primeira experiência como professor. Lecionei para o ginásio as disciplinas de Práticas Comerciais, Educação Artística e Práticas Industriais, por um ano, não sendo mais possível devido à ocupação particular, principalmente de músico que exigia deslocamentos para outras cidades e, em 1983, sai para uma turnê passando pelo Mato Grosso, Acre e terminando no Amazonas, precisamente na cidade de Eirunepé, onde incentivado pelos novos amigos, cursei o Projeto Logos II, ministrado pela Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, que foi a porta de entrada que oficializou, em 1988, a minha profissão de professor, que hoje tenho o maior prazer de ser, inda mais agora, que tenho a oportunidade de participar, pelo município de Itamarati, do Projeto Proformar, ministrado pela Universidade do Estado do Amazonas e me fará um profissional de nível superior.
Figura 5: Mapa do Estado do Amazonas, situando as cidades de Eirunepé, onde cursei o Logos II e, Itamarati, onde vivo atualmente e exerço a profissão de professor.
Agora, pensando bem, e analisando todos os fatos, minha formação de professor foi encontrada quando parei de procurar, nesse caso, posso dizer “caiu nos braços”.
Querer ser, não é bem o termo para se escolher uma profissão. O tempo me mostrou e pude ver muitas escolhas se esvaírem no tempo e no espaço. A condição financeira da maioria dos brasileiros sendo baixa, não lhes dá condições de custear os estudos de sua preferência, e assim, se formam, quando conseguem, pelas oportunidades surgidas e no curso que disponibilizam para suprir a necessidade de momento, ou de desejo e condições do governo. Para aqueles que se adaptam com as oportunistas profissões, têm nelas seu futuro garantido e, passam a dedicar com afinco tornando-se bons profissionais, ao contrário dos que se dizem “não ter nada a ver comigo” se enveredam procurando outros caminhos sem saber ao certo o que encontrarão, ou ficarão, simplesmente, ocupando lugar, deixando o tempo passar pela vida sem sentirem a vida passar pelo tempo. Não estou incluído neste último caso, pois sei o quanto andei atrás de uma oportunidade e, quando surgiu não pensei duas vezes; uma me bastou para decidir o caminho que deveria tomar. Pode não ser a profissão dos meus sonhos de criança, mas, é a profissão de professor que me serve e que me faz identificar com que sempre preguei. Desde minha infância, sabendo depois, é claro, já me portava como instrutor quando conseguia me preparar para poder transmitir os ensinamentos aos demais colegas, como nos casos das brincadeiras de circo, dos roteiros do cinema, das histórias de bang-bang (mãos-ao-ar), enfim, sempre me concederam a liderança para que fluíssem os divertimentos entre nós. Esse era o sinal a seguir, mas como? Nessa época, na sociedade em que convivi, via-se na criança um futuro trabalhador braçal, principalmente que sendo eu o caçula de uma família de marceneiros, por conseguinte seria mais um artista da madeira. No entanto, por uma iniciativa de seis amigos adolescentes, entre eles eu, com quinze anos e, a cinco concluídos o 4.º ano escolar, recorremos ao, primeiro, prefeito de nosso município, Sr. Fernando Ramirez, para requerer que intervisse por nós, pioneiros pretendentes de estudar o ginásio, no sentido de que o Colégio Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, da cidade vizinha de Macaubal, distante dezoito quilômetros de nossa cidade, estendesse o exame de admissão para nossa região. Registra-se, então, na cidade, a ousadia de seis jovens que viajaram durante quatro anos seguidos e tiveram o prazer de fazer, em final de 1969, a primeira festa de formatura ginasial, para espanto daqueles que não acreditavam que aqueles jovens suportariam a maratona diária de ir e vir por estrada de chão, ora de ônibus, ora de caminhão, vezes de carona, vezes de lotação e, até de pé quando do tempo chuvoso ou tempo de pane do veículo. Mas, tudo isso era encarado como um desafio, pois tínhamos consciência da árdua batalha e, assim, considerávamos que cada dia era uma vitória e, sendo vitória, deve ser comemorada como tal: alegria, animação e satisfação; situação que os desacreditados desconheciam.
Desses quatro anos de ginásio, aprendi muitas coisas e, dentre uma delas foi gostar de pão com mortadela. Brincadeirinha! É que este foi o meu cardápio de almoço durante essa temporada de viagem; razão da saída de casa ainda cedo e o almoço não estar pronto. A melhor aprendizagem foi saber dar valor ao pouco que se consegue, pois ele sempre será o motivo do início, por exemplo, são os minúsculos grãos de areia que se acumulam e formam as grandes dunas.
Aprendemos por etapas, aos poucos e, assim, devagar fui absorvendo o que me ensinavam e a ponto de ficar pronto para enfrentar o novo desafio: o colegial; só que agora noutra cidade, em Nhandeara, no Colégio e Escola Normal Estadual Pedro Pedrosa. Um pouco mais longe. Vinte e três quilômetros de chão batido e, de novo, de ônibus, de perua, de carona, de pé, de carrão, não, digo, de coração. De novo, nós seis, por mais três anos enfrentamos o sabor do vento, só que agora a brisa era noturna, os olhos já não avistavam mais as grandes pastagens, os cafezais, as lavouras; a escuridão embriagava a mente tornando-a sonolenta, quase parando. Nós o chamávamos de sono dos sustos (não dos justos), pois a cada momento algo de extraordinário acontecia: um buraco, um animal, vários buracos, vários animais, outro carro, uma brincadeira aqui, outra ali, até chegar ao destino quando de ida ou quando de vinda.
Essa ida e volta nos deram mais um título: ganharam mas não levaram, querendo nos dizer que nós não conseguimos nenhuma profissão e, realmente, foi. Recebemos, no final do ano de 1972, o Certificado de Conclusão do Curso Colegial na área de Ciências Físicas e Biológicas, habilitados para prestar vestibular ... e só? Isso já se sabia, mas não tinha outra escolha, era pegar ou largar. Desde aquela época e até hoje ainda, não consegui entender o pensamento de nossos governantes. Se o Brasil é um país agrícola, possui uma das melhores terras do mundo, porque não dar condições ao cidadão interiorano de se especializar no que a terra é capaz de oferecer?
Foi bom enquanto durou. Essa foi a frase que pude dizer quando recebi o canudo do curso colegial, pois não havia na minha região nenhuma escola para oferecer a continuidade do estudo de zoologia, que eu pretendia, principalmente, por ter adquirido uma boa base de conhecimentos a ponto de realizar experiências, que na época, foi muito comentada. Uma delas foi construir para a feira de ciência, promovida pelo colégio, uma máquina de tabuada usando uma caixa, que era usada por meu pai para guardar blocos de notas, pregos, 42 lâmpadas, duas pilhas de lanterna e uma porção de metros de fio encapado, desenrolado de uma bobina sem uso; conseguindo que ao tocar os dois cabos, nas posições alinhadas, em colunas, dos números representados pelos pregos, obter o resultado da multiplicação, acendendo a lâmpada correspondente. Pela figura, a seguir, faço a caracterização do que seria, mais ou menos, a forma geométrica do aparelho, com toda base externa, assim como as bases internas onde se fixaram os pregos, construídos em madeira, sem que houvesse necessidade de ajustamento. Dava a entender que a caixa tinha sido construída para essa finalidade. Coisa de adolescente que vê na sua criatividade a única peça do mundo.
Figura 2: Desenho representativo do aparelho para cálculo da tabuada de multiplicação. Apresentado na Feira de Ciências no ano de 1973
Meu pai, sendo proprietário de serraria, marcenaria e outros bens, poderia até ter condição de custear meus estudos, mas não o submeti a essa resposta, preferi, aproveitando o convite de meu cunhado para tentar trabalho e se, conforme for, os estudos, na cidade de Londrina, Estado do Paraná.
Figura 3: Mapa do Estado do Paraná, situando a cidade de Londrina.
Tentativa de vestibular
E, assim, já morando com minha irmã, em 1973, tentei uma seletiva para estudo preparatório do vestibular, mas sem sucesso. Nesse mesmo ano, em fevereiro, consegui a minha primeira assinatura na carteira de trabalho, em uma firma revendedora de terras, sendo ela a responsável pela minha ida para o Estado do Mato Grosso.
Nesta passagem da vida surgiu a primeira dúvida. Estudar ou trabalhar? Eis a questão. A firma triplicava meu salário para ser o chefe de escritório da filial a ser inaugurada na futura cidade, localizada na gleba onde se encontravam os lotes de terra para venda. Minha resposta veio com a conformidade de não possuir recursos para manter-me numa faculdade e, assim, indo para a floresta não teria onde gastar os meus salários e conseqüentemente os juntariam e retornaria para dar continuidade aos estudos, apesar de que esta minha decisão também pendeu porque iria de encontro ao que sempre quis: conhecer florestas, ver animais, sentir o ar puro e, esta era a oportunidade sonhada. E, assim, no dia 20 de agosto de 1974, me encontrei no meio de uma vasta floresta procurando no mapa o local da futura cidade Colíder.
Figura 4: Mapa do Estado do Mato Grosso, situando a cidade de Colíder.
Primeira experiência em sala de aula, como professor.
Nome dado em homenagem à firma colonizadora. Há minha volta somente previsão de prédios, porque na realidade, naquele dia, não existia nem o escritório para a venda das terras, sendo improvisado no cômodo de meu alojamento, diferente do visto um ano mais tarde. Parecia com a chamada corrida do ouro. Mudanças
O nome de Colíder está ligado à firma que a colonizou, e pela facilidade de compra, os habitantes chegavam, como diz o ditado: “aos pacotes”, com famílias vindas do Estado do Paraná, e também, um pouco de São Paulo, Minas Gerais e outros estados, ocasionando um crescimento rápido e, conseqüentemente, muitos alunos para estudarem. Daí minha primeira experiência como professor. Lecionei para o ginásio as disciplinas de Práticas Comerciais, Educação Artística e Práticas Industriais, por um ano, não sendo mais possível devido à ocupação particular, principalmente de músico que exigia deslocamentos para outras cidades e, em 1983, sai para uma turnê passando pelo Mato Grosso, Acre e terminando no Amazonas, precisamente na cidade de Eirunepé, onde incentivado pelos novos amigos, cursei o Projeto Logos II, ministrado pela Secretaria de Educação do Estado do Amazonas, que foi a porta de entrada que oficializou, em 1988, a minha profissão de professor, que hoje tenho o maior prazer de ser, inda mais agora, que tenho a oportunidade de participar, pelo município de Itamarati, do Projeto Proformar, ministrado pela Universidade do Estado do Amazonas e me fará um profissional de nível superior.
Figura 5: Mapa do Estado do Amazonas, situando as cidades de Eirunepé, onde cursei o Logos II e, Itamarati, onde vivo atualmente e exerço a profissão de professor.
Agora, pensando bem, e analisando todos os fatos, minha formação de professor foi encontrada quando parei de procurar, nesse caso, posso dizer “caiu nos braços”.
MEMORIAL - 2.2 Atividades técnico-científicas, artístico-culturais e prestação de serviços especializados à sociedade
2.2 Atividades técnico-científicas, artístico-culturais e prestação de serviços especializados à sociedade
Nasci em uma família de músicos. Meu pai e seis irmãos eram formados, isto é, dominavam a leitura de partituras. Eu, o caçula, não estava ainda em época de estudo, mas já aos cinco anos dava meus shows, enquanto eles faziam a parte dos instrumentos de sopros, eu cá, todo empolgado, fazia parte na percussão. E agradava. A banda instrumental ficava rodeada de curiosos, mais ainda, em outras cidades, desejando ver à mascote em atividade. Cresci participando na banda, que era propriedade da Igreja Católica, gerenciada por meu pai e, em todos eventos lá estavam nós alegrando a multidão. Também, nos carnavais éramos requisitados, principalmente por clubes de outros locais, e assim, levávamos nosso gosto para outros rincões. E, assim foi, até que me distanciei da irmandade, para nunca mais voltar. Quando só, formei minha banda, não instrumental de sopro, mas de cordas e percussão, que fiz questão de levar para alegrar vários povos, de vários estados de nosso país. Os circos foram nossa especialidade e, para nós era importante pelo prévio deslocamento de uma cidade a outra, e pelo conhecimento das regiões, resultando na soma de experiências em apoio aos debates promovidos nos eventos e festas culturais. Cada cidade era uma nova descoberta, um novo espetáculo, uma nova cultura, com danças e mitos regionais que nos obrigavam a incorporar em nosso repertório se não quiséssemos provocar o ímpeto das pessoas. Todos os frutos colhidos dessas andanças me fizeram ver que a vida vivida, em cada cantinho especial, tem seu segmento influenciado nas tradições deixadas pelos antepassados, mas, também, notei que muitas foram introduzidas por ambulantes, como assim sempre fizemos, e deixamos muitas sementes plantadas em cada pedacinho de chão que passávamos. Se eu tivesse condições de voltar a passar em cada um desses cantinhos poderia ver quantas sementes vingaram e quantas foram esquecidas na terra seca e árida, aguardando que lhes molhem com as lembranças da fase histórica marcada por prazeres ou frustrações, ou se simplesmente foi tão alheia que não fez se sentir tocar ao chão, sendo levada pelo vento para sabe se lá para onde. Mas, disso o importante é que foram semeadas. Nossa cultura é a miscigenação do presente com o passado. Tudo que aprendi, tudo que assimilei, fui repassando e, hoje, muito mais ainda, posso contribuir pela profissão que me foi destinada. Em cada passo de uma dança posso recordar o quanto já me empenhei por aprender e por ensinar. Observo nos passos dos forrozeiros que não aprendi tudo, e muito teria que aprender, mas, se cada um ensinar o pouco que sabe, ao final, teremos um montão de ensinamentos construídos dos pouquinhos.
Nasci em uma família de músicos. Meu pai e seis irmãos eram formados, isto é, dominavam a leitura de partituras. Eu, o caçula, não estava ainda em época de estudo, mas já aos cinco anos dava meus shows, enquanto eles faziam a parte dos instrumentos de sopros, eu cá, todo empolgado, fazia parte na percussão. E agradava. A banda instrumental ficava rodeada de curiosos, mais ainda, em outras cidades, desejando ver à mascote em atividade. Cresci participando na banda, que era propriedade da Igreja Católica, gerenciada por meu pai e, em todos eventos lá estavam nós alegrando a multidão. Também, nos carnavais éramos requisitados, principalmente por clubes de outros locais, e assim, levávamos nosso gosto para outros rincões. E, assim foi, até que me distanciei da irmandade, para nunca mais voltar. Quando só, formei minha banda, não instrumental de sopro, mas de cordas e percussão, que fiz questão de levar para alegrar vários povos, de vários estados de nosso país. Os circos foram nossa especialidade e, para nós era importante pelo prévio deslocamento de uma cidade a outra, e pelo conhecimento das regiões, resultando na soma de experiências em apoio aos debates promovidos nos eventos e festas culturais. Cada cidade era uma nova descoberta, um novo espetáculo, uma nova cultura, com danças e mitos regionais que nos obrigavam a incorporar em nosso repertório se não quiséssemos provocar o ímpeto das pessoas. Todos os frutos colhidos dessas andanças me fizeram ver que a vida vivida, em cada cantinho especial, tem seu segmento influenciado nas tradições deixadas pelos antepassados, mas, também, notei que muitas foram introduzidas por ambulantes, como assim sempre fizemos, e deixamos muitas sementes plantadas em cada pedacinho de chão que passávamos. Se eu tivesse condições de voltar a passar em cada um desses cantinhos poderia ver quantas sementes vingaram e quantas foram esquecidas na terra seca e árida, aguardando que lhes molhem com as lembranças da fase histórica marcada por prazeres ou frustrações, ou se simplesmente foi tão alheia que não fez se sentir tocar ao chão, sendo levada pelo vento para sabe se lá para onde. Mas, disso o importante é que foram semeadas. Nossa cultura é a miscigenação do presente com o passado. Tudo que aprendi, tudo que assimilei, fui repassando e, hoje, muito mais ainda, posso contribuir pela profissão que me foi destinada. Em cada passo de uma dança posso recordar o quanto já me empenhei por aprender e por ensinar. Observo nos passos dos forrozeiros que não aprendi tudo, e muito teria que aprender, mas, se cada um ensinar o pouco que sabe, ao final, teremos um montão de ensinamentos construídos dos pouquinhos.
MEMORIAL - 2.3 As minhas salas de aula como experiência docente
2.3 As minhas salas de aula como experiência docente
Estou cá. Eles lá. Frente a frente. Todo ano a mesma situação. Novas turmas, novas personalidades, embora a mesma pessoa, mas algo mudou dentro dela. Assim, desde 1988, continuamente, não tenho lembrança que um mesmo diálogo inicial fosse repetido em uma outra turma, ou que um mesmo diálogo servisse para duas turmas, mesmo de mesma série, como diz o ditado: “cada caso é um caso”. Todo início, de ano letivo, faz com que você busque no olhar, de cada um dos alunos, a fórmula que satisfaria o seu desejo mas, o que vemos é o olhar perplexo, procurando entender aqueles sermões, aquelas regras, se nem ao menos lhe dera a chance de mostrar a sua maneira de ser. Hoje, vejo de forma diferente: primeiro, procura-se entender a história de vida de cada aluno, para que se possa, em segundo, mostrar de como será a maneira de ser do professor, pois a cada dia você encontrará uma nova situação e, para tanto, você deve estar preparado para atende-la de forma que coloque o aluno em primeiro plano, pois ele é a nossa história, precisa-se conhece-la para que possa desvendar os seus mistérios.
Não serei capaz de responder se eu ensinei ou aprendi mais, pois, a cada ano fui descobrindo o quanto tive que mudar para alcançar os objetivos propostos, e estas mudanças só puderam acontecer pelo acúmulo de conhecimentos e experiências adquiridas em sala de aula, com o aluno. A cada dia, em cada sala, entrei com uma história e sai com outra, acrescida de dúvidas quando o resultado esperado não era alcançado, e incrivelmente possível, as soluções em todas elas foram encontradas no próprio aluno. Ele indicara, através de reações, a resposta correta, valendo-me de observá-la e compreendê-la em cada situação.
Todo caminho que percorri com o intuito de desvendar qual a melhor maneira de ensinar acabei por esbarrar no aluno, pois ele não é o que eu queria que fosse, ele sempre foi ele, da forma que nasceu, cresceu e viveu entre os seus. Agora me vejo, antes de decidir por qualquer questão oriunda da anormalidade, buscando uma vaga de intrometido na vida do aluno, procurando conhecer o seu modo de vida entre seus familiares. É ali que vou encontrar, nos braços dos entes queridos, as possíveis respostas para a maioria dos embaraços travados na vida escolar.
De uma coisa posso ter certeza. Em cada sala de aula encontrei uma partícula, que somadas formou , o que passei a chamar de “minha razão”. Nas salas dos pequeninos: minha razão de aprender, de compreender, de ensinar, de inspiração, de adoração à inocência. Nas salas dos jovens: minha razão de saber mudar, de saber aturar, de pesquisar, de procurar meios para compreender tantas rebeldias. Nas salas dos adultos: minha razão de saber respeitar, de cativar, de ter paciência, de se preparar para descobrir o oculto. Nas salas dos idosos: minha razão de incentivar, de perdoar, de agradecer, de querer viver, de estar perto de tantas vidas esperançosas e de ver em tantos rostos o semblante do desconhecido sendo desvendado por mãos trêmulas e frágil. E, na sala de todos: a razão de minha profissão.
Estou cá. Eles lá. Frente a frente. Todo ano a mesma situação. Novas turmas, novas personalidades, embora a mesma pessoa, mas algo mudou dentro dela. Assim, desde 1988, continuamente, não tenho lembrança que um mesmo diálogo inicial fosse repetido em uma outra turma, ou que um mesmo diálogo servisse para duas turmas, mesmo de mesma série, como diz o ditado: “cada caso é um caso”. Todo início, de ano letivo, faz com que você busque no olhar, de cada um dos alunos, a fórmula que satisfaria o seu desejo mas, o que vemos é o olhar perplexo, procurando entender aqueles sermões, aquelas regras, se nem ao menos lhe dera a chance de mostrar a sua maneira de ser. Hoje, vejo de forma diferente: primeiro, procura-se entender a história de vida de cada aluno, para que se possa, em segundo, mostrar de como será a maneira de ser do professor, pois a cada dia você encontrará uma nova situação e, para tanto, você deve estar preparado para atende-la de forma que coloque o aluno em primeiro plano, pois ele é a nossa história, precisa-se conhece-la para que possa desvendar os seus mistérios.
Não serei capaz de responder se eu ensinei ou aprendi mais, pois, a cada ano fui descobrindo o quanto tive que mudar para alcançar os objetivos propostos, e estas mudanças só puderam acontecer pelo acúmulo de conhecimentos e experiências adquiridas em sala de aula, com o aluno. A cada dia, em cada sala, entrei com uma história e sai com outra, acrescida de dúvidas quando o resultado esperado não era alcançado, e incrivelmente possível, as soluções em todas elas foram encontradas no próprio aluno. Ele indicara, através de reações, a resposta correta, valendo-me de observá-la e compreendê-la em cada situação.
Todo caminho que percorri com o intuito de desvendar qual a melhor maneira de ensinar acabei por esbarrar no aluno, pois ele não é o que eu queria que fosse, ele sempre foi ele, da forma que nasceu, cresceu e viveu entre os seus. Agora me vejo, antes de decidir por qualquer questão oriunda da anormalidade, buscando uma vaga de intrometido na vida do aluno, procurando conhecer o seu modo de vida entre seus familiares. É ali que vou encontrar, nos braços dos entes queridos, as possíveis respostas para a maioria dos embaraços travados na vida escolar.
De uma coisa posso ter certeza. Em cada sala de aula encontrei uma partícula, que somadas formou , o que passei a chamar de “minha razão”. Nas salas dos pequeninos: minha razão de aprender, de compreender, de ensinar, de inspiração, de adoração à inocência. Nas salas dos jovens: minha razão de saber mudar, de saber aturar, de pesquisar, de procurar meios para compreender tantas rebeldias. Nas salas dos adultos: minha razão de saber respeitar, de cativar, de ter paciência, de se preparar para descobrir o oculto. Nas salas dos idosos: minha razão de incentivar, de perdoar, de agradecer, de querer viver, de estar perto de tantas vidas esperançosas e de ver em tantos rostos o semblante do desconhecido sendo desvendado por mãos trêmulas e frágil. E, na sala de todos: a razão de minha profissão.
MEMORIAL - 2.4 Atividades administrativas
2.4 Atividades administrativas
Paralelamente à minha profissão de professor estadual, que sempre exerci em sala de aula, também sou professor municipal. Só que nunca exerci uma sala de aula pelo município. Desde minha contratação, em 1989, sempre fui colocado à disposição do cargo de confiança, nos setores de administração e, por último, chefia de gabinete, ao que me deu, nesses anos todos, um profundo conhecimento da administração pública, que me valeu muito no aperfeiçoamento da questão administrativa, como: forma de organização das escritas e estéticas do caderno; manuseio do livro e demais atos formais usados nas atividades escolares.
Fazendo uma retrospectiva da minha vida profissional administrativa, recordo que no ano de 1970, tive a primeira oportunidade de assumir uma responsabilidade gerencial, quando fui nomeado para chefia do recenseamento pelo órgão federal IBGE. Quão bom foi. Fiquei sabendo em detalhes a realidade de meu município, o que fez despertar em mim a curiosidade pela pesquisa. Desde aquela época em diante passei a cultivar algum interesse pela estatística, pelo desempenho de setores e, principalmente, pela vida da sociedade.
No período de 1974 a 1983 assumi a chefia de escritório na firma de meu primeiro registro em carteira. Deste período restou-me a experiência da boa convivência com o seu semelhante subordinado. Ele lhe dá o respeito tanto no trabalho como fora dele, o que nos leva a retribuir tal homenagem e, fazer dela a fortaleza de uma amizade.
No período de 1983 a 1988 fui uma espécie de maestro leigo, proprietário, agenciador e músico da Banda Musical Cheyennes que surgiu em Colíder, Estado do Mato Grosso e chegou até Eirunepé, Estado do Amazonas, quando então dei por encerrado minha primeira etapa de músico e passei a cuidar de outros ramos. Desta fase errante, que me tornou um bom apreciador de nossas mais diversas culturas brasileiras, tive, também, uma grata experiência: “para árvore que não cria raiz basta um pé-de-vento para derruba-la”.
No mesmo tempo do período descrito antes, precisamente entre 1986 a 1988, gerenciei um Auto Posto Mecânico, onde foi colocada em prática toda a minha experiência de boa convivência, quando tive que trabalhar com o dono da empresa, cuja pessoa do mesmo, era totalmente ao contrário aos meus ensinamentos.
A partir do início do ano de 1989 surgiu minha primeira oportunidade de adquirir conhecimento da administração pública, quando assumi o cargo de Secretário de Administração da Prefeitura Municipal de Itamarati que se estendeu até o final do ano de 1996.
De 1997 até 2000 exerci o cargo de Secretário Administrativo na Câmara Municipal de Itamarati, onde apoiado na experiência, adquirida nos anos anteriores, pude atender com veemência as necessidades daquele órgão.
E aqui estou, desde 2001, assumindo o cargo de Chefe, primeiramente Chefe do Setor de Pessoal e, por final, há um ano, no cargo de Chefe de Gabinete, da Prefeitura Municipal de Itamarati, gastando o meu vocabulário em ofícios, decretos, leis, etc., graças às aquisições junto ao curso normal superior, que elevou meu poder de absorção dos conhecimentos da nossa língua, da nossa cultura, enfim, de todos os elementos necessários para tornar-nos culto.
Todas as atividades administrativas, que me deram o prazer de desenvolver, foram elementos essenciais para, hoje, considerar-me um aprendiz das artes de compreender o próximo, pois, em todas as atividades lá estavam eles. Eu querendo deles, eles querendo de mim, e, assim, desse intercâmbio, resultaram todos os benefícios programados para a nossa sobrevivência. Incrível. Tudo gerou em torno de que a maioria estava correndo atrás de conseguir o seu pão de cada dia.
Paralelamente à minha profissão de professor estadual, que sempre exerci em sala de aula, também sou professor municipal. Só que nunca exerci uma sala de aula pelo município. Desde minha contratação, em 1989, sempre fui colocado à disposição do cargo de confiança, nos setores de administração e, por último, chefia de gabinete, ao que me deu, nesses anos todos, um profundo conhecimento da administração pública, que me valeu muito no aperfeiçoamento da questão administrativa, como: forma de organização das escritas e estéticas do caderno; manuseio do livro e demais atos formais usados nas atividades escolares.
Fazendo uma retrospectiva da minha vida profissional administrativa, recordo que no ano de 1970, tive a primeira oportunidade de assumir uma responsabilidade gerencial, quando fui nomeado para chefia do recenseamento pelo órgão federal IBGE. Quão bom foi. Fiquei sabendo em detalhes a realidade de meu município, o que fez despertar em mim a curiosidade pela pesquisa. Desde aquela época em diante passei a cultivar algum interesse pela estatística, pelo desempenho de setores e, principalmente, pela vida da sociedade.
No período de 1974 a 1983 assumi a chefia de escritório na firma de meu primeiro registro em carteira. Deste período restou-me a experiência da boa convivência com o seu semelhante subordinado. Ele lhe dá o respeito tanto no trabalho como fora dele, o que nos leva a retribuir tal homenagem e, fazer dela a fortaleza de uma amizade.
No período de 1983 a 1988 fui uma espécie de maestro leigo, proprietário, agenciador e músico da Banda Musical Cheyennes que surgiu em Colíder, Estado do Mato Grosso e chegou até Eirunepé, Estado do Amazonas, quando então dei por encerrado minha primeira etapa de músico e passei a cuidar de outros ramos. Desta fase errante, que me tornou um bom apreciador de nossas mais diversas culturas brasileiras, tive, também, uma grata experiência: “para árvore que não cria raiz basta um pé-de-vento para derruba-la”.
No mesmo tempo do período descrito antes, precisamente entre 1986 a 1988, gerenciei um Auto Posto Mecânico, onde foi colocada em prática toda a minha experiência de boa convivência, quando tive que trabalhar com o dono da empresa, cuja pessoa do mesmo, era totalmente ao contrário aos meus ensinamentos.
A partir do início do ano de 1989 surgiu minha primeira oportunidade de adquirir conhecimento da administração pública, quando assumi o cargo de Secretário de Administração da Prefeitura Municipal de Itamarati que se estendeu até o final do ano de 1996.
De 1997 até 2000 exerci o cargo de Secretário Administrativo na Câmara Municipal de Itamarati, onde apoiado na experiência, adquirida nos anos anteriores, pude atender com veemência as necessidades daquele órgão.
E aqui estou, desde 2001, assumindo o cargo de Chefe, primeiramente Chefe do Setor de Pessoal e, por final, há um ano, no cargo de Chefe de Gabinete, da Prefeitura Municipal de Itamarati, gastando o meu vocabulário em ofícios, decretos, leis, etc., graças às aquisições junto ao curso normal superior, que elevou meu poder de absorção dos conhecimentos da nossa língua, da nossa cultura, enfim, de todos os elementos necessários para tornar-nos culto.
Todas as atividades administrativas, que me deram o prazer de desenvolver, foram elementos essenciais para, hoje, considerar-me um aprendiz das artes de compreender o próximo, pois, em todas as atividades lá estavam eles. Eu querendo deles, eles querendo de mim, e, assim, desse intercâmbio, resultaram todos os benefícios programados para a nossa sobrevivência. Incrível. Tudo gerou em torno de que a maioria estava correndo atrás de conseguir o seu pão de cada dia.
MEMORIAL - 2.5 Títulos, homenagens e aprovação em concursos
2.5 Títulos, homenagens e aprovação em concursos
Não tem como negar que é muito grande a satisfação ao ter seu trabalho reconhecido, ainda mais, se você sabe que merece esse reconhecimento. Esse prazer senti ao ser homenageado pelos formandos da 8.ª série, ao ser convidado para ser o paraninfo da turma no ano de 1990.
Não tem como não ficar lisonjeado ao ser convidado para coroar uma de suas alunas no dia de sua formatura. Já foram mais de dez anos seguidos, com às vezes, duas num mesmo ano de apadrinhamento de formatura.
Minhas primeiras participações em concursos não foram lá de grande animação. Apesar de ter sido na época da juventude, que não se vê com muita seriedade, acabaram por deixar marca de insatisfação em cada tentativa, não pela vaga perdida, mas pela desilusão consigo mesmo, fazendo com que me afastasse desses “bichos de sete cabeças”.
Voltei a participar de concurso no ano de 1991, quando então fui classificado em quinto lugar para uma vaga de professor na Prefeitura Municipal de Itamarati, que a mantenho até o presente momento.
Em 1994, fui classificado em quarto lugar, para o município de Itamarati, no concurso para professor pelo Governo do Estado do Amazonas, que mantenho até agora.
Em 2001, participei do concurso/vestibular ministrado pela Universidade do Estado do Amazonas, para uma vaga no Curso Normal Superior, e fui aprovado em primeiro lugar pelo município de Itamarati.
Agora, recentemente, em 2004, obtive mais uma aprovação e, para minha satisfação, em primeiro lugar, pelo município de Itamarati, no concurso promovido para vaga de professor pelo Estado do Amazonas.
Não tem como negar que é muito grande a satisfação ao ter seu trabalho reconhecido, ainda mais, se você sabe que merece esse reconhecimento. Esse prazer senti ao ser homenageado pelos formandos da 8.ª série, ao ser convidado para ser o paraninfo da turma no ano de 1990.
Não tem como não ficar lisonjeado ao ser convidado para coroar uma de suas alunas no dia de sua formatura. Já foram mais de dez anos seguidos, com às vezes, duas num mesmo ano de apadrinhamento de formatura.
Minhas primeiras participações em concursos não foram lá de grande animação. Apesar de ter sido na época da juventude, que não se vê com muita seriedade, acabaram por deixar marca de insatisfação em cada tentativa, não pela vaga perdida, mas pela desilusão consigo mesmo, fazendo com que me afastasse desses “bichos de sete cabeças”.
Voltei a participar de concurso no ano de 1991, quando então fui classificado em quinto lugar para uma vaga de professor na Prefeitura Municipal de Itamarati, que a mantenho até o presente momento.
Em 1994, fui classificado em quarto lugar, para o município de Itamarati, no concurso para professor pelo Governo do Estado do Amazonas, que mantenho até agora.
Em 2001, participei do concurso/vestibular ministrado pela Universidade do Estado do Amazonas, para uma vaga no Curso Normal Superior, e fui aprovado em primeiro lugar pelo município de Itamarati.
Agora, recentemente, em 2004, obtive mais uma aprovação e, para minha satisfação, em primeiro lugar, pelo município de Itamarati, no concurso promovido para vaga de professor pelo Estado do Amazonas.
MEMORIAL - 2.6 A aventura na produção do conhecimento
2.6 A aventura na produção do conhecimento
Buscar o imaginário requer que você se enverede para um caminho obscuro, em pensamentos, e de lá traga uma imagem só vista por você, portanto, para que seja vista por outro tem que torna-la real, usando de meios que a matéria oferece. Dessa união, da mente com a cultura, sai uma produção única e exclusiva que passa a ser copiada e espalhada para todos os demais, numa forma de atender a perspectiva de cada um. Todos produzem mentalmente e trás à tona seus conhecimentos, que lá foram acumulados e organizados ao longo do tempo, e, cada vez mais, lapidados. Esse processo vem se desenvolvendo desde nossa criação: Criando, copiando, inventando, imitando, enfim, fazendo com que a mente se aventure, e cada vez mais, produza conhecimentos.
Não fui diferente. No início da minha função de professor, me aventurei e fui necessitado, pela inexperiência, de ter que explorar vários planos de ensinamentos para, tentar, encontrar um que satisfizesse a minha necessidade. Pensei, inicialmente, que essa busca fosse logo resolvida, que depois de alguns anos essa indagação não mais seria necessária pelo acúmulo de conhecimentos adquiridos, no que me enganei. Vi que cada vez mais havia necessidade de procurar novas idéias, novas criações, novas pesquisas, para satisfazer o momento presente, que não se acomoda em lições do passado, ele quer renovação constante para atender a demanda de tantos conhecimentos novos repassados por tantas outras vias, além, da escolar.
A cada nova idéia que introduzi, sempre esteve presente à apreensão do aceitamento. Observei tantas idéias consideradas por mim de baixa criação alcançarem plena aceitação e, outras, consideradas uma genialidade caíram no abismo da inobservância. E, tantas outras, incrementadas pelos alunos para que atingissem o resultado esperado. Essa é a aventura que me contenta, que me faz ouvir a voz da razão, da interação, da pesquisa e da humildade.
Nessa aventura do conhecimento não poderia deixar de citar a minha experiência com o trabalho de Pesquisa. Ela fez com que, pela primeira vez, sentisse a satisfação, o medo e a vontade de entrar em campo para descobrir e perceber coisas tão presentes em nossas vidas que não são percebidas no nosso dia a dia.
A observação foi a primeira etapa da pesquisa e, também, o primeiro momento de ficar parado, não pelo trabalho, mas por não saber como começar: Observar o que, e como? A quem interceptarei, a quem procurarei, e o que perguntarei?Até que vem aquela reação da mente e começa a colocar coisas em minha cabeça que vão se ampliando, clareando e fazendo relação com o que estou procurando, e surge, então, os primeiros rabiscos em que represento os horários determinados para cada seção do dia escolar. Vou anotando tudo que vejo, sem uma perspectiva concreta do que será o resultado. Mas vou anotando, eu vivendo uma nova etapa. Cada descoberta tão simples, que antigamente nunca foram por mim observadas, mas que carregam tantas perguntas e, tantas respostas. Vários momentos foram cruciais para entender porque tantas coisas são deixadas de serem feitas, mas também muitas outras explicam porque foram feitas. Uma criança que procura a sua realização em meio há poucas coisas; realizam-se por tão pouco, mas o que lhe dão é menos ainda do que necessitam. Ao observar, você percebe que uma criança não se importa com que lhe tiram, elas consideram mais o que lhes dão. Seus sentimentos são puros e sinceros.
Num dos melhores momentos: Vejo um grupo de crianças pulando corda, e volto a rascunhar da alegria estampada no rosto de cada uma delas.
Figura 6: Foto durante processo de observação da pesquisa.
Crianças no horário de recreio na Escola Estadual Santos Dumont
Depois vieram as entrevistas, e por elas, pude ver o quanto às crianças querem mais, e muito mais, de nós professores.
Buscar o imaginário requer que você se enverede para um caminho obscuro, em pensamentos, e de lá traga uma imagem só vista por você, portanto, para que seja vista por outro tem que torna-la real, usando de meios que a matéria oferece. Dessa união, da mente com a cultura, sai uma produção única e exclusiva que passa a ser copiada e espalhada para todos os demais, numa forma de atender a perspectiva de cada um. Todos produzem mentalmente e trás à tona seus conhecimentos, que lá foram acumulados e organizados ao longo do tempo, e, cada vez mais, lapidados. Esse processo vem se desenvolvendo desde nossa criação: Criando, copiando, inventando, imitando, enfim, fazendo com que a mente se aventure, e cada vez mais, produza conhecimentos.
Não fui diferente. No início da minha função de professor, me aventurei e fui necessitado, pela inexperiência, de ter que explorar vários planos de ensinamentos para, tentar, encontrar um que satisfizesse a minha necessidade. Pensei, inicialmente, que essa busca fosse logo resolvida, que depois de alguns anos essa indagação não mais seria necessária pelo acúmulo de conhecimentos adquiridos, no que me enganei. Vi que cada vez mais havia necessidade de procurar novas idéias, novas criações, novas pesquisas, para satisfazer o momento presente, que não se acomoda em lições do passado, ele quer renovação constante para atender a demanda de tantos conhecimentos novos repassados por tantas outras vias, além, da escolar.
A cada nova idéia que introduzi, sempre esteve presente à apreensão do aceitamento. Observei tantas idéias consideradas por mim de baixa criação alcançarem plena aceitação e, outras, consideradas uma genialidade caíram no abismo da inobservância. E, tantas outras, incrementadas pelos alunos para que atingissem o resultado esperado. Essa é a aventura que me contenta, que me faz ouvir a voz da razão, da interação, da pesquisa e da humildade.
Nessa aventura do conhecimento não poderia deixar de citar a minha experiência com o trabalho de Pesquisa. Ela fez com que, pela primeira vez, sentisse a satisfação, o medo e a vontade de entrar em campo para descobrir e perceber coisas tão presentes em nossas vidas que não são percebidas no nosso dia a dia.
A observação foi a primeira etapa da pesquisa e, também, o primeiro momento de ficar parado, não pelo trabalho, mas por não saber como começar: Observar o que, e como? A quem interceptarei, a quem procurarei, e o que perguntarei?Até que vem aquela reação da mente e começa a colocar coisas em minha cabeça que vão se ampliando, clareando e fazendo relação com o que estou procurando, e surge, então, os primeiros rabiscos em que represento os horários determinados para cada seção do dia escolar. Vou anotando tudo que vejo, sem uma perspectiva concreta do que será o resultado. Mas vou anotando, eu vivendo uma nova etapa. Cada descoberta tão simples, que antigamente nunca foram por mim observadas, mas que carregam tantas perguntas e, tantas respostas. Vários momentos foram cruciais para entender porque tantas coisas são deixadas de serem feitas, mas também muitas outras explicam porque foram feitas. Uma criança que procura a sua realização em meio há poucas coisas; realizam-se por tão pouco, mas o que lhe dão é menos ainda do que necessitam. Ao observar, você percebe que uma criança não se importa com que lhe tiram, elas consideram mais o que lhes dão. Seus sentimentos são puros e sinceros.
Num dos melhores momentos: Vejo um grupo de crianças pulando corda, e volto a rascunhar da alegria estampada no rosto de cada uma delas.
Figura 6: Foto durante processo de observação da pesquisa.
Crianças no horário de recreio na Escola Estadual Santos Dumont
Depois vieram as entrevistas, e por elas, pude ver o quanto às crianças querem mais, e muito mais, de nós professores.
MEMORIAL - 2.7 Outras atividades
2.7 Outras atividades
Sempre paralela à minha função de professor, até mesmo, quando não a tinha, tive outras atividades que me mantivessem ocupado durante o dia e, muitas vezes, à noite, também. Desde o término da fase de criança, que meus pais souberam respeitar muito, até hoje, passei por vários trabalhos. Durante a juventude tive uns para ganhar algum dinheiro, como: engraxando sapatos, frentista de posto de gasolina, trabalhos escolares e baterista de carnaval; e outros por simples prazeres, como: trabalhos escolares para os amigos, músico mirim da banda de música, aprendiz de alfaiate, envernizador de móveis na fábrica de móveis da família, ajudante de pintor para com meu mano e o que, na época, considerava o máximo: ser boiadeiro. No primeiro convite, lá estava eu montado em meu cavalo, de nome Furamundo, tangendo o gado, no maior prazer, se sentindo como um daqueles cowboys de cinema, que teve sua interrupção ao iniciar os estudos.
Na fase seguinte, após conclusão do ensino médio, passei a trabalhar com carteira assinada e na mesma progressão iniciando a carreira de músico, que me trouxe, passando por vários estados, até chegar ao estado do Amazonas, precisamente na cidade de Eirunepé, onde, por não ter conhecimento, ou melhor, por não ter conhecido, obriguei-me ao trabalho braçal de servente de pedreiro, e depois, já mais conhecido, assumi a gerência de uma oficina mecânica, motorista e, não faltando na banda nos finais de semana, que veio ser deixado ao chegar na cidade de Itamarati. Aqui não pude e nem posso reclamar de trabalho. Já trabalhei em vários órgãos da Prefeitura, por disposição, quando mesmo gerenciava um Clube de Festa por mais de 5 anos, ensinava computação e teclado, sem contar os serviços não remunerados como: membro de comissão de licitação por mais de 15 anos; membro do Conselho Municipal de Educação e, nas eleições, desde 1990, sempre fui convocado para ser presidente das mesas receptoras de votos. Que bom! Como diz o ditado: Melhor reclamar de muito serviço do que da falta dele.
Sempre paralela à minha função de professor, até mesmo, quando não a tinha, tive outras atividades que me mantivessem ocupado durante o dia e, muitas vezes, à noite, também. Desde o término da fase de criança, que meus pais souberam respeitar muito, até hoje, passei por vários trabalhos. Durante a juventude tive uns para ganhar algum dinheiro, como: engraxando sapatos, frentista de posto de gasolina, trabalhos escolares e baterista de carnaval; e outros por simples prazeres, como: trabalhos escolares para os amigos, músico mirim da banda de música, aprendiz de alfaiate, envernizador de móveis na fábrica de móveis da família, ajudante de pintor para com meu mano e o que, na época, considerava o máximo: ser boiadeiro. No primeiro convite, lá estava eu montado em meu cavalo, de nome Furamundo, tangendo o gado, no maior prazer, se sentindo como um daqueles cowboys de cinema, que teve sua interrupção ao iniciar os estudos.
Na fase seguinte, após conclusão do ensino médio, passei a trabalhar com carteira assinada e na mesma progressão iniciando a carreira de músico, que me trouxe, passando por vários estados, até chegar ao estado do Amazonas, precisamente na cidade de Eirunepé, onde, por não ter conhecimento, ou melhor, por não ter conhecido, obriguei-me ao trabalho braçal de servente de pedreiro, e depois, já mais conhecido, assumi a gerência de uma oficina mecânica, motorista e, não faltando na banda nos finais de semana, que veio ser deixado ao chegar na cidade de Itamarati. Aqui não pude e nem posso reclamar de trabalho. Já trabalhei em vários órgãos da Prefeitura, por disposição, quando mesmo gerenciava um Clube de Festa por mais de 5 anos, ensinava computação e teclado, sem contar os serviços não remunerados como: membro de comissão de licitação por mais de 15 anos; membro do Conselho Municipal de Educação e, nas eleições, desde 1990, sempre fui convocado para ser presidente das mesas receptoras de votos. Que bom! Como diz o ditado: Melhor reclamar de muito serviço do que da falta dele.
Memorial - 2.8 Considerações finais
2.8 Considerações finais
Foi muito redundante e repleto de satisfação poder recordar tantas coisas boas ocorridas em minha vida, e melhor ainda, poder deixar escritos momentos tão importantes que poderão ser conhecidos, analisados, refletidos e, até posto em check-up sua exposição, se ofereceu valores para conservar guardado, na lembrança, por tanto tempo.
Procurei mostrar as passagens que marcaram minha vida na trajetória de minha cidade natal até chegar ao Amazonas, que retrato como um sonho de criança, e que veio se tornar realidade. Não almejava, nesta vinda, ser professor, pois, até então, não tinha o curso de magistério. Queria aqui estar para poder observar a beleza da natureza: a mata com seus animais, com seus encantos e seus mitos relatados em tantas histórias.
Quis o destino que ao chegar nessa terra de sonhos as portas dos ensinamentos se abrissem para que eu adentrasse e concluísse o curso magistério, fazendo-me conhecer, realmente, o sabor do conhecimento. Aquele que busca desvendar as barreiras do tempo, do espaço e da curiosidade, mostrando um mundo totalmente envolvente em sociabilidade, em probabilidades de angariar saber, retribuição e companheirismo.
Fiz-me professor por acaso, mas este destino estava guardado para mim, pois é com que me realizo. Que me faz sentir realmente útil para com a sociedade, e mais, sinto que minha contribuição foi alcançada com sucesso ao ser interpelado, por alunos, do desejo de estudarem comigo. Esses questionamentos sempre me estarreceram de orgulho me levando a confrontar comigo mesmo. Como melhorar, ainda mais, para que quando isso acontecer não lhes decepcionar. Assim, procuro sempre estar atualizado, buscando o conveniente para minha profissão e torná-la o meu sucesso, pois almejo ser “o melhor”. E não é o que todos querem?
Foi muito redundante e repleto de satisfação poder recordar tantas coisas boas ocorridas em minha vida, e melhor ainda, poder deixar escritos momentos tão importantes que poderão ser conhecidos, analisados, refletidos e, até posto em check-up sua exposição, se ofereceu valores para conservar guardado, na lembrança, por tanto tempo.
Procurei mostrar as passagens que marcaram minha vida na trajetória de minha cidade natal até chegar ao Amazonas, que retrato como um sonho de criança, e que veio se tornar realidade. Não almejava, nesta vinda, ser professor, pois, até então, não tinha o curso de magistério. Queria aqui estar para poder observar a beleza da natureza: a mata com seus animais, com seus encantos e seus mitos relatados em tantas histórias.
Quis o destino que ao chegar nessa terra de sonhos as portas dos ensinamentos se abrissem para que eu adentrasse e concluísse o curso magistério, fazendo-me conhecer, realmente, o sabor do conhecimento. Aquele que busca desvendar as barreiras do tempo, do espaço e da curiosidade, mostrando um mundo totalmente envolvente em sociabilidade, em probabilidades de angariar saber, retribuição e companheirismo.
Fiz-me professor por acaso, mas este destino estava guardado para mim, pois é com que me realizo. Que me faz sentir realmente útil para com a sociedade, e mais, sinto que minha contribuição foi alcançada com sucesso ao ser interpelado, por alunos, do desejo de estudarem comigo. Esses questionamentos sempre me estarreceram de orgulho me levando a confrontar comigo mesmo. Como melhorar, ainda mais, para que quando isso acontecer não lhes decepcionar. Assim, procuro sempre estar atualizado, buscando o conveniente para minha profissão e torná-la o meu sucesso, pois almejo ser “o melhor”. E não é o que todos querem?
sábado, 18 de outubro de 2008
SEGUNDA PARTICIPAÇÃO - MIDIA NA EDUCAÇÃO
Olá Pessoal! Sou Imar Paulo Pissolato e juntamente com os colegas professores da cidade de Itamarati, Estado do Amazonas, estamos iniciando o curso de mídia na educação, e assim, conhecendo essas ferramentas de interações entre nossa classe tão especial. Sou nascido em Monções, Estado de São Paulo, mas há mais de vinte anos moro no Amazonas, numa cidadezinha pequena do interior onde tive a oportunidade de cursar, através da educação à distância o curso Normal Superior. Agora, espero que com esta nova change tenhamos a ampliação dos conhecimentos e, pelos nossos alunos, sucessos.
PRIMEIRO TRABALHO - CURSO MÍDIA NA EDUCAÇÃO
IMPRESSÕES
Quem diria que aqui neste “mundão” fosse possível tal realização.
Este fato não é um sonho. É a realidade que nela passo a viver. É a esperança para a melhoria da nossa prática de ensino que, às vezes, se torna monótona com tanta repetição, e exatamente, por conta da falta disso que estamos prestes a iniciar.
Se a primeira impressão é a que fica então posso dizer que estarei preparado para participar, pesquisar, interagir e encontrar o todo desconhecido que tira o sono, fazendo aguçar nossa mente para a sua descoberta.
O medo inicial não nos deixa ver tantas utilidades escondidas nas linhas de menus que, após alguns toques faz surgir novos horizontes e, dentro deles, a expectativa por desvendá-los com a segurança do prazer realizado.
Ao ver tantas ferramentas dá medo, mas nesse pouco tempo se vê que o ambiente da e-Proinfo é bem prática e de fácil manuseio, por isso terá boa aceitação, até mesmo nos mais inexperientes com o uso da informática.
Quem diria que aqui neste “mundão” fosse possível tal realização.
Este fato não é um sonho. É a realidade que nela passo a viver. É a esperança para a melhoria da nossa prática de ensino que, às vezes, se torna monótona com tanta repetição, e exatamente, por conta da falta disso que estamos prestes a iniciar.
Se a primeira impressão é a que fica então posso dizer que estarei preparado para participar, pesquisar, interagir e encontrar o todo desconhecido que tira o sono, fazendo aguçar nossa mente para a sua descoberta.
O medo inicial não nos deixa ver tantas utilidades escondidas nas linhas de menus que, após alguns toques faz surgir novos horizontes e, dentro deles, a expectativa por desvendá-los com a segurança do prazer realizado.
Ao ver tantas ferramentas dá medo, mas nesse pouco tempo se vê que o ambiente da e-Proinfo é bem prática e de fácil manuseio, por isso terá boa aceitação, até mesmo nos mais inexperientes com o uso da informática.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Trabalhando com clips
Puxa! Como eu gostaria de saber os segredos do programa Vegas!
O pouco que sei me faz mais curioso para descobrir tantas funções, mas me perco nelas.
O pouco que sei me faz mais curioso para descobrir tantas funções, mas me perco nelas.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Dia de praia.
Qualquer tarde, qualquer dia. As areias servem de palco para o futebol, volei, disputas entre homens, mulheres, meninos e meninas, todos estão envolvidos.
É um ritual. Vejo nas minhas caminhadas pela praia esse compromisso com a areia e com a água do Rio Juruá que circundam por toda nossa cidade deixando somente um lado que dá acesso ao aeroporto rodeado pelo floresta amazônica.
Qualquer tarde, qualquer dia. As areias servem de palco para o futebol, volei, disputas entre homens, mulheres, meninos e meninas, todos estão envolvidos.
É um ritual. Vejo nas minhas caminhadas pela praia esse compromisso com a areia e com a água do Rio Juruá que circundam por toda nossa cidade deixando somente um lado que dá acesso ao aeroporto rodeado pelo floresta amazônica.
Bem-vindo ao Aventuras:Pissolato
Seja bem-vindo ao blog Aventuras:Pissolato
Não sei bem se o espírito é aventureiro ou se simplesmente acontece com a gente como a pluma levada para onde o vento toca, isto é, as coisas acontecem em nossa vida e assim as levamos.
Tudo o que nos cerca será um motivo para registro, principalmente por morar no meio da floresta mais cobiçada do mundo. Hoje, faço parte dela, e assim desfruto de suas belezas que intencionalmente registrarei.
Não sei bem se o espírito é aventureiro ou se simplesmente acontece com a gente como a pluma levada para onde o vento toca, isto é, as coisas acontecem em nossa vida e assim as levamos.
Tudo o que nos cerca será um motivo para registro, principalmente por morar no meio da floresta mais cobiçada do mundo. Hoje, faço parte dela, e assim desfruto de suas belezas que intencionalmente registrarei.
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