terça-feira, 21 de outubro de 2008

MEMORIAL - 2.2 Atividades técnico-científicas, artístico-culturais e prestação de serviços especializados à sociedade

2.2 Atividades técnico-científicas, artístico-culturais e prestação de serviços especializados à sociedade
Nasci em uma família de músicos. Meu pai e seis irmãos eram formados, isto é, dominavam a leitura de partituras. Eu, o caçula, não estava ainda em época de estudo, mas já aos cinco anos dava meus shows, enquanto eles faziam a parte dos instrumentos de sopros, eu cá, todo empolgado, fazia parte na percussão. E agradava. A banda instrumental ficava rodeada de curiosos, mais ainda, em outras cidades, desejando ver à mascote em atividade. Cresci participando na banda, que era propriedade da Igreja Católica, gerenciada por meu pai e, em todos eventos lá estavam nós alegrando a multidão. Também, nos carnavais éramos requisitados, principalmente por clubes de outros locais, e assim, levávamos nosso gosto para outros rincões. E, assim foi, até que me distanciei da irmandade, para nunca mais voltar. Quando só, formei minha banda, não instrumental de sopro, mas de cordas e percussão, que fiz questão de levar para alegrar vários povos, de vários estados de nosso país. Os circos foram nossa especialidade e, para nós era importante pelo prévio deslocamento de uma cidade a outra, e pelo conhecimento das regiões, resultando na soma de experiências em apoio aos debates promovidos nos eventos e festas culturais. Cada cidade era uma nova descoberta, um novo espetáculo, uma nova cultura, com danças e mitos regionais que nos obrigavam a incorporar em nosso repertório se não quiséssemos provocar o ímpeto das pessoas. Todos os frutos colhidos dessas andanças me fizeram ver que a vida vivida, em cada cantinho especial, tem seu segmento influenciado nas tradições deixadas pelos antepassados, mas, também, notei que muitas foram introduzidas por ambulantes, como assim sempre fizemos, e deixamos muitas sementes plantadas em cada pedacinho de chão que passávamos. Se eu tivesse condições de voltar a passar em cada um desses cantinhos poderia ver quantas sementes vingaram e quantas foram esquecidas na terra seca e árida, aguardando que lhes molhem com as lembranças da fase histórica marcada por prazeres ou frustrações, ou se simplesmente foi tão alheia que não fez se sentir tocar ao chão, sendo levada pelo vento para sabe se lá para onde. Mas, disso o importante é que foram semeadas. Nossa cultura é a miscigenação do presente com o passado. Tudo que aprendi, tudo que assimilei, fui repassando e, hoje, muito mais ainda, posso contribuir pela profissão que me foi destinada. Em cada passo de uma dança posso recordar o quanto já me empenhei por aprender e por ensinar. Observo nos passos dos forrozeiros que não aprendi tudo, e muito teria que aprender, mas, se cada um ensinar o pouco que sabe, ao final, teremos um montão de ensinamentos construídos dos pouquinhos.

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