terça-feira, 21 de outubro de 2008

MEMORIAL - 2.3 As minhas salas de aula como experiência docente

2.3 As minhas salas de aula como experiência docente

Estou cá. Eles lá. Frente a frente. Todo ano a mesma situação. Novas turmas, novas personalidades, embora a mesma pessoa, mas algo mudou dentro dela. Assim, desde 1988, continuamente, não tenho lembrança que um mesmo diálogo inicial fosse repetido em uma outra turma, ou que um mesmo diálogo servisse para duas turmas, mesmo de mesma série, como diz o ditado: “cada caso é um caso”. Todo início, de ano letivo, faz com que você busque no olhar, de cada um dos alunos, a fórmula que satisfaria o seu desejo mas, o que vemos é o olhar perplexo, procurando entender aqueles sermões, aquelas regras, se nem ao menos lhe dera a chance de mostrar a sua maneira de ser. Hoje, vejo de forma diferente: primeiro, procura-se entender a história de vida de cada aluno, para que se possa, em segundo, mostrar de como será a maneira de ser do professor, pois a cada dia você encontrará uma nova situação e, para tanto, você deve estar preparado para atende-la de forma que coloque o aluno em primeiro plano, pois ele é a nossa história, precisa-se conhece-la para que possa desvendar os seus mistérios.
Não serei capaz de responder se eu ensinei ou aprendi mais, pois, a cada ano fui descobrindo o quanto tive que mudar para alcançar os objetivos propostos, e estas mudanças só puderam acontecer pelo acúmulo de conhecimentos e experiências adquiridas em sala de aula, com o aluno. A cada dia, em cada sala, entrei com uma história e sai com outra, acrescida de dúvidas quando o resultado esperado não era alcançado, e incrivelmente possível, as soluções em todas elas foram encontradas no próprio aluno. Ele indicara, através de reações, a resposta correta, valendo-me de observá-la e compreendê-la em cada situação.
Todo caminho que percorri com o intuito de desvendar qual a melhor maneira de ensinar acabei por esbarrar no aluno, pois ele não é o que eu queria que fosse, ele sempre foi ele, da forma que nasceu, cresceu e viveu entre os seus. Agora me vejo, antes de decidir por qualquer questão oriunda da anormalidade, buscando uma vaga de intrometido na vida do aluno, procurando conhecer o seu modo de vida entre seus familiares. É ali que vou encontrar, nos braços dos entes queridos, as possíveis respostas para a maioria dos embaraços travados na vida escolar.
De uma coisa posso ter certeza. Em cada sala de aula encontrei uma partícula, que somadas formou , o que passei a chamar de “minha razão”. Nas salas dos pequeninos: minha razão de aprender, de compreender, de ensinar, de inspiração, de adoração à inocência. Nas salas dos jovens: minha razão de saber mudar, de saber aturar, de pesquisar, de procurar meios para compreender tantas rebeldias. Nas salas dos adultos: minha razão de saber respeitar, de cativar, de ter paciência, de se preparar para descobrir o oculto. Nas salas dos idosos: minha razão de incentivar, de perdoar, de agradecer, de querer viver, de estar perto de tantas vidas esperançosas e de ver em tantos rostos o semblante do desconhecido sendo desvendado por mãos trêmulas e frágil. E, na sala de todos: a razão de minha profissão.

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